A investigação sobre o desaparecimento e a morte de Eulália Farias Pinheiro, de 70 anos, ganhou novos detalhes após a prisão do principal suspeito do crime, Elisio da Silva, de 60 anos, realizada pela Polícia Civil nesta quarta-feira, 22. Segundo a advogada da família da idosa, Josiane Monteiro, o suspeito teria mantido uma relação de proximidade com a vítima por mais de um ano e utilizado estratégias para conquistar a confiança dela.
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Em entrevista ao GMC Online, a advogada afirmou que elementos encontrados durante a investigação indicam que Elisio teria planejado a aproximação com Dona Eulália com o objetivo de obter vantagem financeira.
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Segundo Josiane, a família encontrou informações deixadas pela idosa dentro de uma Bíblia. Entre os registros, havia o nome de Elisio e um pedido de oração por ele, além de um número de telefone ligado a um familiar do suspeito.
“Durante esse período em que ela conversava com o Elisio, ela acabou escrevendo o nome dele dentro de uma Bíblia, pedindo oração para o Elisio. Nós já sabíamos que eles se conheciam há muito mais de um ano, que eles conversavam sempre”, relatou a advogada.
Ainda conforme Josiane, a família acredita que outras pessoas possam ser investigadas no decorrer do inquérito.
Testemunha teria reconhecido suspeito que acompanhava Dona Eulália
A advogada também revelou que uma testemunha teria visto Elisio junto com Dona Eulália e conseguiu reconhecer o suspeito após a apresentação da fotografia dele. Segundo ela, durante o período de investigação, alguns detalhes dificultaram inicialmente a identificação do homem, já que ele teria tentado esconder o rosto em determinadas situações.
“As informações foram chegando principalmente com relação ao veículo utilizado e à descrição da pessoa. Ele escondia o rosto várias vezes, por isso a família não tinha uma descrição exata dele”, afirmou.
Suspeito teria usado perfis falsos nas redes sociais
Um dos pontos revelados pela advogada durante a entrevista foi o suposto uso de perfis falsos em redes sociais por parte de Elisio. Segundo Josiane, o homem teria utilizado diferentes nomes e continuado realizando publicações mesmo após a morte da idosa.
“Nós vimos também que ele utilizava vários perfis nas páginas sociais falsos, colocando outros nomes. Após tirar a vida da Dona Eulália, ele continuou postando informações nas redes sociais”, disse. A advogada afirmou ainda que a família e a polícia monitoravam o comportamento do suspeito e identificaram contatos frequentes com outras mulheres da mesma faixa etária da vítima.
“Ele entrava em contato com várias mulheres na mesma faixa etária da Dona Eulália. Existem comentários em fotos deles com mais de 180 comentários de mulheres. Então ele foi preso, porque caso contrário certamente faria novas vítimas”, declarou.
Família acredita que crime teve motivação financeira
Para a advogada, o caso é tratado como um possível latrocínio, quando ocorre roubo seguido de morte. Segundo Josiane, Elisio teria se aproximado da idosa após saber que ela receberia uma quantia em dinheiro.
“A Dona Eulália havia comunicado a essa pessoa que teria um dinheiro para receber, e por isso ele foi levando ela. Assim que ela recebeu esse valor, ele fez com que ela sacasse durante algumas vezes esses valores”, explicou.
A investigação aponta que a idosa saiu de Maringá no dia 15 de junho, em um ônibus com destino a Nova Londrina. O corpo dela foi encontrado no dia 14 de julho, na região do Porto Tigre, em Nova Londrina, por um pescador.
Devido ao avançado estado de decomposição, a identificação foi feita posteriormente pelo Instituto Médico Legal (IML), por meio de exames relacionados à prótese dentária.
Relação com Nova Londrina e Loanda chamou atenção da investigação
Ainda segundo a advogada, Elisio teria escolhido Nova Londrina por conhecer a região. Ele nasceu em Loanda e já teria morado no município com familiares. Josiane relatou que, em determinado momento, o suspeito teria acompanhado Dona Eulália e outras pessoas até Loanda e afirmado que conhecia a cidade.
“Ele falou: ‘não precisa me falar os endereços, porque em Loanda eu conheço tudo’. Ele conhecia porque nasceu lá e já havia residido na cidade”, contou.
A suspeita é de que ele tenha escolhido Nova Londrina por ser uma região próxima e por possuir conhecimento da área.
Suspeito teria enviado mensagens durante investigação
A advogada afirmou ainda que Elisio não teria procurado a família durante o desaparecimento da idosa, mas que perfis ligados a ele podem ter enviado mensagens tentando acompanhar o andamento das buscas.
Segundo Josiane, durante o velório de Dona Eulália, um perfil com a foto do suspeito, mas utilizando outro nome, teria enviado uma mensagem para uma familiar. “Esse perfil perguntou se tinham descoberto alguma coisa. Nós acreditamos que outros perfis também possam ser dele”, afirmou.
Polícia deve investigar possível participação de outras pessoas
Com a prisão de Elisio, a Polícia Civil deve aprofundar a investigação para esclarecer toda a dinâmica do crime e verificar se houve participação de outras pessoas. A advogada da família afirmou que ainda existem informações sendo analisadas e que novas testemunhas podem ser ouvidas.
“Nós temos mais uma pessoa que pode reconhecer ele. Essa pessoa descreveu ele para a gente e será levada à Delegacia para fazer o reconhecimento”, explicou. Segundo Josiane, outros números de telefone encontrados nos registros da vítima também podem ajudar na investigação.
Até o fechamento desta reportagem a defesa do suspeito não foi localizada.
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