O suicídio é um dos dramas mais difíceis enfrentados pelas famílias e também um importante problema de saúde pública.
Em Maringá, os dados mais recentes mostram que o assunto merece atenção. O Hospital Universitário Regional de Maringá (HUM), da Universidade Estadual de Maringá (UEM), registrou 27 atendimentos por lesões autoprovocadas entre janeiro e 3 de setembro de 2026.
Os números foram levantados pela Auditoria Médica do hospital e divulgados em setembro, durante o Setembro Amarelo, período dedicado à prevenção do suicídio e à valorização da vida.
Desde 2023, o HUM registrou 205 atendimentos desse tipo. Foram 36 casos em 2023, 78 em 2024, 64 em 2025 e 27 até 3 de setembro de 2026.
É importante fazer uma distinção: lesão autoprovocada não significa necessariamente tentativa de suicídio. O termo inclui situações que precisam ser avaliadas individualmente pelos profissionais de saúde.
O levantamento do HUM mostra que 60% dos atendimentos de 2023 a 2026 envolveram mulheres e 40%, homens.
A idade média dos pacientes foi de 31,3 anos, e 71,2% dos atendimentos envolveram pessoas entre 10 e 39 anos.
Outro dado chama atenção: 58,5% dos casos chegaram ao hospital durante a noite.
A maior parte das ocorrências, 79%, esteve relacionada à autointoxicação por medicamentos ou outras substâncias.
Em 84,9% das situações, os pacientes foram classificados como casos urgentes ou muito urgentes. Ao todo, 131 pessoas precisaram ser internadas.
Os números não explicam, sozinhos, por que uma pessoa chega a esse ponto. Cada situação envolve uma história diferente.
Problemas emocionais, transtornos mentais, conflitos, perdas, violência, dificuldades financeiras e outras situações podem fazer parte de um quadro de sofrimento.
Por isso, especialistas defendem atenção aos sinais de mudança de comportamento, isolamento, desesperança e falas relacionadas à morte.
Em Maringá, a rede pública de saúde mental conta com serviços especializados, além das Unidades Básicas de Saúde.
O próprio HUM mantém atendimento pelo SUS e possui pronto atendimento com funcionamento 24 horas.
Em situações de emergência, a orientação é procurar imediatamente um serviço de saúde ou acionar o Samu pelo telefone 192.
O Centro de Valorização da Vida também oferece atendimento gratuito pelo telefone 188.
O mais importante é não considerar o sofrimento como fraqueza e não deixar a pessoa enfrentar sozinha uma situação de crise.
Os dados de 2026 não representam apenas números. São pessoas que chegaram a um serviço de saúde depois de uma situação de sofrimento.
Por isso, reconhecer os sinais, ouvir sem julgamento e buscar ajuda profissional podem ser atitudes importantes para evitar que uma crise se transforme em uma tragédia.




