Comprar roupa usada deixou de ser apenas uma forma de economizar. O mercado de segunda mão ganhou espaço na moda e já movimenta consumidores que procuram preço, marcas, peças diferentes e também formas de consumir com menos desperdício.
Maringá acompanha esse movimento.
Um levantamento do Sebrae apontou 82 brechós na cidade, contra 58 em 2021. O número mostra crescimento de cerca de 41% em três anos.
O Paraná também registra expansão nesse segmento. O mercado reúne lojas físicas, vendas pela internet, redes sociais, bazares e empresas especializadas em compra, venda e consignação de roupas usadas.
O comportamento do consumidor ajuda a explicar essa mudança.
Pesquisa do Sebrae-SP realizada em 2025 mostrou que 71% dos consumidores procuram brechós pelos preços mais baixos. A qualidade dos produtos aparece em segundo lugar, com 45%, seguida pela sustentabilidade e pelo consumo consciente, com 43%.
As roupas são os principais produtos procurados. Na pesquisa, 51% citaram roupas masculinas e 50% roupas femininas. Também aparecem calçados, acessórios e peças de grife.
O mercado também mudou de perfil.
O antigo conceito de brechó ligado apenas a roupas muito usadas perdeu espaço. Hoje, muitas lojas trabalham com peças seminovas, marcas conhecidas, roupas vintage e produtos em bom estado.
Em Maringá, esse movimento ganhou uma dimensão empresarial. A empreendedora Mariza Rezende começou em 2015 com um bazar de garagem. Em 2017, formalizou o negócio que deu origem à Dig For Fashion, rede que chegou a 17 lojas, dois centros de distribuição e mais de 300 funcionários, segundo o Sebrae.
O caso mostra como o comércio de segunda mão pode deixar de ser uma atividade pequena e se transformar em negócio estruturado.
Outro fator é a mudança na relação das pessoas com a roupa.
Uma peça que não é mais usada por uma pessoa pode voltar ao mercado e encontrar outro comprador. Isso aumenta a vida útil do produto e cria uma nova possibilidade de renda para quem vende.
Para quem compra, existe ainda a possibilidade de encontrar peças de marcas conhecidas por valores menores que os praticados no varejo tradicional.
O mercado também ganhou força nas redes sociais. Fotos, vídeos e transmissões ao vivo permitem que brechós apresentem rapidamente novas peças e alcancem consumidores de outras cidades.
Em Maringá, a quantidade de estabelecimentos mostra que esse comportamento já tem presença significativa no comércio local.
O crescimento do setor reúne três fatores que pesam na decisão de compra: economia, variedade e reaproveitamento.
A moda de segunda mão, portanto, deixou de ocupar apenas um espaço alternativo no mercado. Em Maringá, já representa uma atividade comercial com dezenas de estabelecimentos e consumidores de diferentes perfis.




